A vida universitária é marcada por desafios. Eles vão desde a rotina entre trabalho e estudo até a relação familiar e o desempenho acadêmico. Porém, para os alunos com algum tipo de deficiência, esses obstáculos podem ser ainda maiores e exigir determinação e auxílio especializado a fim de serem superados.
Essa história é vivida pelo aluno Fabiano Aldeia da Silva (20), que atualmente está no quinto período do curso de Direito no Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso). Deficiente visual, ele vivencia diariamente a dificuldade de ser independente e se locomover até o ambiente acadêmico.
Mas não é só isso. Segundo ele, estudar as disciplinas apresentadas ao longo do curso e realizar as diversas atividades propostas pelos professores também se transforma em um momento em que essa ajuda é necessária.
Atuação do NAPPA junto aos alunos com necessidades especiais
É nesse momento que se faz presente a equipe do Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Acessibilidade (NAPPA), que tem a função de identificar, acolher e caminhar com esses estudantes ao longo de toda a trajetória acadêmica para permitir o melhor aproveitamento nas áreas de estudo.
"O apoio é excelente tanto com a adaptação dos locais com piso tátil, quanto ao atendimento em si. A pedagoga e a psicóloga sempre perguntam sobre meu dia a dia, me aconselhando e me indicando maneiras para estudar melhor", disse ele.
O setor busca a garantia e a promoção da inclusão de alunos do centro universitário. Para isso, ele dispõe de atendimentos nas especialidades de Pedagogia, Psicopedagogia, Fonoaudiologia e Psicologia, com foco na identificação e mapeamento das demandas acadêmicas dos estudantes.
Esse acompanhamento é realizado por meio do Programa de Acessibilidade, em que é elaborado um plano de atendimento individualizado, levando em conta as necessidades particulares de cada estudante do Unifeso, facilitando o processo de ensino-aprendizagem ao longo dos estudos.
De acordo com a coordenadora do NAPPA, Martza Fonseca, no caso dos alunos com deficiência visual, a acessibilidade vai além disso. Do ponto de vista funcional, a arquitetura ofertada pelo Unifeso envolve a remoção de barreiras físicas e inclusão de elementos sensoriais e táteis como piso, placas informativas em Braille, visando a autonomia e segurança desses alunos.
"Além disso, oferecemos o ledor, que é um profissional específico que acompanha o aluno nas aulas, fornecendo todo o suporte necessário, desde a locomoção até a adaptação dos conteúdos para o formato acessível a ele", pontuou ela.
A interação entre ledores e alunos
Atualmente, o Unifeso possui sete alunos com deficiência visual que cursam Direito, Fisioterapia, Medicina e Psicologia.
Quando solicitado, os ledores do NAPPA oferecem suporte na leitura de textos expostos em aula, incluindo-se a adaptação de materiais, apoio em avaliações e participação ativa no processo de ensino-aprendizagem dos alunos.
"Eu estudo pelos slides que os ledores colocam nos grupos criados por eles para cada disciplina. Todos os conteúdos dos slides são adaptados em texto que os professores compartilham durante as aulas. Os ledores me ajudam bastante e tenho muito a agradecer por todo o apoio", contou o estudante Fabiano Aldeia da Silva.
Por: Raphael Branco